Crônicas do Abelardo

Ãs minhas mulheres

Criado em uma família de cinco irmãs , além de uma babá que se tornou uma  irmã de criação que me acompanhou até a adolescência,  a presença feminina sempre teve uma forte influência na minha formação. No endereço da Cesário Alvim, eram elas que faziam a festa, transformando a  casa um ponto de encontro de toda a vizinhança, uma espécie de laboratório experimental, nas diversas fases da minha infância e juventude.

Foi com elas que aprendi as primeiras brincadeiras infantis num tempo muito distante dos vídeo-games e computadores. Brincávamos na rua, de pique bandeira, de amarelinha, de âqueimadoâ,  e até de atirar pedras para o alto e reuni-las todas de uma só vez. Foram elas que despertaram o meu gosto pela música e foi com elas que aprendi a dançar ao som de Ray Connif, Peppino di Capri,  Elwis Presley e a reconhecer o som dos Beatles.


Amália , Elizabeth, Nara, Vanita e Rosalinda ,  a doce Iracema, a quem me referi no início desta crônica, além de minha mãe, Dona Vaninha, foram as primeiras mulheres da minha vida. Estiveram â e ainda permanecem -  ao meu lado, neste ou em outro plano, me mostrando o lado colorido da vida,  da sensibilidade, da solidariedade, e, sobretudo, me oferecendo demonstrações eloqüentes do fascinante universo feminino.

Hoje, ao lado da Maria Lúcia, que me acompanha com lealdade e dedicação há mais de quarenta anos, dividindo dores e alegrias,  conquistas e  vicissitudes , estimulando e me apoiando nessa  caminhada, vou descobrindo novos valores e conhecendo, a cada dia, os indispensáveis predicados que fazem das  mulheres um ser humano muito especial;  a sua força no enfrentamento dos problemas, no fortalecimento da família e na preservação do amor e da amizade que consolida a união a dois.

Para mim, todos os dias são delas. Ah, se não fossem as minhas mulheres... Sem elas não sei o que seria de mim.



CARTÓRIO TRAVASSOS

A Adega do Abelardo

Há mais de 40 anos ela é uma extensão da minha casa. Faz parte do meu cotidiano e é o meu endereço  nos momentos de angústia e nas horas de lazer . Não é exagero dizer que vou lá, praticamente, toda semana, às vezes mais de um vez, no almoço, no jantar ou nas noites  em que  resolvo tomar um uísque  para relaxar e espantar  a tristeza,  num refúgio seguro, com  gente de confiança para me fazer companhia.

Estava presente em  sua inauguração, quando surgiu na praia de Tambaú, quase em frente ao hotel do mesmo nome, num ambiente tipicamente português e  uma decoração que me lembrava a  mercearia de um comerciante d\'além mar  que havia na minha infância no Rio de Janeiro, com cabaças, cordas de cebola e peças de salame penduradas no teto.

Foi construída pelo empresário  João Ferreira, um português valente que se estabeleceu em Angola onde fez fortuna, à custa de muito trabalho, e de onde saiu clandestinamente,  carregando mulher e filhos para se refugiar no Brasil,  ameaçado pela sanha perseguidora e cruel  do regime comunista  que se estabeleceu naquele país após a decretação da independência das colônias portuguesas na Ãfrica.

Entregou o empreendimento ao comando dos filhos, sob a liderança do filho caçula, Alfredo Ferreira, a quem julgava o  mais apto ao comando do novo negócio. Surgia, assim, a Adega do Alfredo, um misto de bar e restaurante, onde os paraibanos descobriram, além da  inimitável culinária portuguesa, o carinho e  calor humano da brava gente lusitana.

Agora a Adega, do Alfredo , do  Abelardo e de todos os paraibanos, vai iniciar uma nova fase. Não será vendida, até porque, como disse o seu proprietário, o Fred de todos nós, é um patrimônio da cidade. Mas deixará aquele ambiente mágico, onde ainda ressoam a risada de Josélio Gondim e a alegria de tantos quanto deixaram ali muitas de suas emoções.



EMPORIO GOURMET

A Pátria de chuteiras

O dramaturgo e escritor Nelson Rodrigues costumava  repetir em sua coluna intitulada âà Sombra das Chuteiras Imortaisâ, publicada diariamente em O Globo nos anos 60,  que a Seleção Brasileira representava âa pátria de calção e chuteirasâ,  conceito que definia  o sentimento nacional em relação ao  escrete brasileiro. Da minha infância na Cesário Alvim, jogando futebol de botão com os meus irmãos ou nas peladas de rua com os meus amigos, até os dias de hoje, sempre fui um apaixonado pelo  âesporte bretão .

De uma geração que viu Pelé e Garrincha, que assistiu pela TV o tri-campeonato do México , o tetra nos Estados Unidos e o Penta no Japão, alem de muitas outras conquistas, estou  entre os que brigam com a esposa na disputa  pelo controle remoto da televisão nos programas esportivos e nas transmissões dos jogos, sejam no Brasil ou no exterior. Gosto de acompanhar tudo, de rever os gols e ouvir os comentários dos narradores e jornalistas especializados. Na Copa do Mundo, então, essa paixão explode definitivamente.  

Choro, grito, xingo,  sofro, vibro e  me emociono até às lágrimas com a vitória ou com a derrota.  Me  visto de verde e amarelo da cabeça aos pés, tomado por um sentimento que me envolve e  faz aflorar todo o meu amor pela minha pátria e pelos meus compatriotas. âEu sou brasileiro, com muito orgulho e com muito amorâ, faço coro com a  musica que vem das arquibancadas. Agora nos preparamos para mais um Mundial.

Ainda sob o trauma da derrocada contra a Alemanha, naquele trágico 7 a 1, vamos em busca da hegemonia perdida e, sobretudo, da autoconfiança própria dos vencedores. Sob o comando de um técnico capaz, motivador , e de indiscutível espírito de liderança, o Brasil já escolheu os melhores jogadores , tem um time formado, e está pronto para a competição que vai parar o País.

Vamos lá Brasil!



Governo do Estado

A Vênus Platinada

Ela nasceu e se criou sob a égide do regime de exceção que se instalou no Brasil  a partir de março de 1964 quando os militares, apoiados por fortes lideranças civis como Carlos Lacerda , no Rio de Janeiro, Ademar de Barros, em São Paulo, e Magalhães Pinto, em Minas Gerais ,  assumiram o Poder onde permaneceriam por mais de 20 anos,   infelicitando os brasileiros  por conta do autoritarismo que se instalou no País e que permitia muitos abusos em relação à liberdade de expressão e às garantias dos direitos individuais.

Foi sob este cenário que a Rede Globo de Televisão, sob o comando do seu criador, Roberto Irineu Marinho,  conseguiu crescer e ampliar os seus espaços na comunicação brasileira, até se tornar a Senhora da Razão, a Vênus Platinada incandescente aos olhos dos  que  se informavam e alimentavam as suas convicções de acordo  com os seus noticiários tendenciosos, suas novelas demolidoras dos conceitos da família e de sua programação, quase  sempre,  voltada aos seus próprios interesses, em detrimento da população.

De uns tempos para cá , entretanto, essa situação tem se modificado. Desde  o advento da internet e das redes sociais, quando cada pessoa passou a ter um canal direto para expressar os seus sentimentos, revoltas e indignações, que a Rede Globo padece em seu conceito de credibilidade na avaliação dos brasileiros.

Nas “entrevistas” que realizou com os candidatos à presidência da República, os  jornalistas  William Bonner e Renata Vasconcelos demonstraram atitude  inaceitável e incompatível aos bons profissionais de Imprensa, comportando-se como juízes arrogantes,  onde a soberba  e a falta de respeito dos entrevistadores para com os seus convidados transformaram  o programa numa inquisição,  que em nada contribuiu para a democracia.

Felizmente, porém, o castelo encantado  fundado pelo  dr. Roberto Marinho não encanta mais. Os brasileiros aprenderam a reagir. 



Governo do Estado

A casa do meu avô

O seu nome era  Oswaldo Pessoa Cavalcanti de Albuquerque, ou, o “coronel Oswaldo”, como, respeitosamente, o chamavam os lideres políticos daqueles tempos em que o coronelismo era o símbolo mais eloqüente da aristocracia nordestina. Irmão do presidente João Pessoa, do marechal José Pessoa e do general Aristarcho Pessoa; sobrinho do presidente da República, Epitácio Pessoa, foi um dos homens mais influentes da Paraíba dos anos quarenta e cinqüenta;  prefeito, por duas vezes, da Capital paraibana,  que deve a ele muitas realizações, incluindo a pavimentação, em paralelepípedo, da avenida Epitácio Pessoa, executada  pelos próprios  apenados da penitenciária Modelo, sob  sua supervisão.

Na família, era chamado pelos seus netos como Vovô Lindo, apelido carinhoso que revelava que, por traz de sua sisudez e austeridade, havia um coração gentil de um homem afetivo e de  bons sentimentos. Ainda me recordo   de sua presença no casarão da rua Capitão José Pessoa, em Jaguaribe, berço  nobre da sociedade paraibana da época, onde recebia as mais importantes figuras da República, incluindo o presidente Juscelino Kubitschek que foi visitá-lo numa de suas vindas ao Estado, ainda no exercício do cargo.

Esta semana, ao passar em frente àquele palacete azul e branco, com uma fonte em sua fachada e azulejos portugueses em suas paredes, decidi entrar para rever os seus cômodos. Na  varanda, parecia estar vendo  a imagem da  minha avó, dona Maria das Neves,  sentada em sua  cadeira de balanço; andei por suas salas de jacarandá e caminhei  até o  quintal onde, ainda criança,  jogava bola com os meus primos.

Fiquei muito comovido com essas lembranças imorredouras. Além de  indignado  com o destino de  um imóvel  que abrigou episódios tão importantes da história da Paraíba, e que hoje, ao invés de fazer parte da memória  da cidade, permaneça sem a obrigatória e indispensável  presença dos órgãos oficiais  a garantir a sua  preservação.



Somos a sua voz!

A memória da cidade

Na condição de membro da família Pessoa, como sobrinho neto do presidente João Pessoa, que  era irmão do meu avô, o ex-prefeito Oswaldo Pessoa, já estive , em três  ocasiões distintas, num  velho casarão da praça da Independência para instalação  do Museu  onde seria contada a rica história, de mais de 400 anos,  da capital paraibana, a terceira cidade mais antiga do  Brasil.

A primeira vez aconteceu no segundo mandato do governador  José Maranhão,  quando o extinto Banco Real anunciou a doação do imóvel ao Estado com a finalidade específica de abrigar o Museu da Cidade, inspirada  no fato de que ali teria residido o líder paraibano, assassinado  em Recife, fato que precipitou a Revolução de 30 e mudou os rumos da história brasileira.

Da outra feita, ainda no governo José Maranhão, participamos â eu e meus familiares â de mais uma solenidade, naquele mesmo local, para assinatura do contrato para a realização da obra, com direito a banda de musica e discursos inflamados de diversos oradores, dentre eles o saudoso acadêmico Wellington Aguiar, à época presidente da Academia Paraibana de Letras, que falou em nome da entidade e do Instituto Histórico da Paraíba.

Por fim, na gestão Cássio Cunha Lima , retornamos àquele antigo casarão, desta vez para a assinatura da ordem de serviço que possibilitaria  reunir , em um só lugar, todo o acervo de documentos , objetos , imagens e tudo o mais que pudesse revelar  às novas gerações como chegamos até aqui e  a história daqueles   construíram o nosso passado  e projetaram o nosso  futuro.

Agora, quando tudo parecia perdido, o governador Ricardo Coutinho anuncia que está aberta a licitação para implantação do Museu da Cidade, garantindo, inclusive,  recursos  para a  execução do projeto.

 Que Deus o ilumine e que, desta vez, a obra consiga, finalmente,  sair do papel.



Governo do Estado

A mulher do poeta

Nos anos 70, quando comecei a minha atividade na crônica social, eles eram presenças constantes na coluna Status , que eu assinava no semanário O Momento, de Jório Machado. Eram  freqüentadores assíduos das atividades sociais;  das festas no Jangada Clube aos carnavais do Cabo Branco. Formavam uma dupla como  irmãos siameses, um casal que se afinava dentro e fora do casamento, ele com um sorriso permanente no canto da boca e ela sempre firme ao seu lado, como se estivesse a conduzi-lo por caminhos seguros e férteis.

Celso Otávio e Nora Novais eram nomes que se pronunciavam juntos. Onde um estava,  lá estava o outro; nas conversas com amigos, dançando nos salões de festa ou simplesmente sentados à beira mar, como um casal de namorados.

Mesmo quando rodeado de amigos, declamando os seus poemas ou exaltando a poesia de outros grandes autores, entre aplausos e o carinho dos seus espectadores, tinha um olhar para a sua mulher, como a lhe pedir aprovação. Delicado nos gestos e nas atitudes, carinhoso nas palavras e nos comentários, sempre generosos e otimistas, gostava da vida e dos prazeres que ela oferece e que ele parecia descobrir a cada instante.

O casamento, que gerou uma grande e bela  família de cinco filhos – Nina, Celso, Otávio, Dada e Chiquita, genros, noras e netos -  – só foi interrompido pelo falecimento dele, que nos deixou há 25 anos. Autor de muitos livros, alguns dos quais publicados por respeitadas editoras do País, Celso Novais me lembrava um passarinho: falava como se estivesse sibilando uma poesia, cantarolando um verso, afagando o seu ouvinte.

Esta semana foi a hora dela ir ao seu encontro. Aos 93 anos, Nora Novais , finalmente, pode se desprender dessa vida com a consciência do dever cumprido como mulher, esposa e mãe, dedicada ao bem estar de sua família e dos amigos que a rodeavam. Foi em paz para recompor o que lhe foi tirado e agora, certamente, repousa ao lado de Deus e de  quem soube lhe fazer feliz.



CARTÓRIO TRAVASSOS

A vitória da superação

Ela ainda era uma criança quando um  acidente automobilístico quase lhe tirou a vida, deixando-a gravemente enferma. Foram seis meses hospitalizada numa UTI, em  coma profundo, assistida  por uma equipe médica  que nada tinha a fazer a não ser rezar pela benevolência Divina. Os médicos acreditavam que somente Deus, do alto de sua onipotência, poderia ser capaz de reverter aquele quadro macabro, de uma menina inerte  num leito , alimentada por sondas e mantida viva graças aos aparelhos que garantiam   o ar que lhe  chegava  aos  pulmões.

Impotentes diante daquele drama que se abateu sobre a família, os seus pais, o atual prefeito de Cajazeiras,  José Aldemir,  e sua esposa, a médica Paula Francinete, mantinha a fé, acreditavam em um milagre, e  rezavam  noite e dia para que a sua filha caçula, Polyanna, resistisse à doença, desafiasse a medicina e seus prognósticos sombrios, e voltasse à vida pelas mãos do Espírito Santo.

Na sexta-feira passada compareci a uma noite de autógrafos de uma escritora  ainda desconhecida, que lançava o seu primeiro trabalho. Fui ao Centro de Estudos Juridicos e Sociais, o Cejus, feliz iniciativa do juiz aposentado José Fernandes de Andrade,  para atender o chamamento de uma família cajazeirense  com quem mantenho  relações de amizade e consideração.

Foi com surpresa que identifiquei a personagem central do evento: a jovem Polyanna de Almeida, aquela garota que sobreviveu ao improvável, que desafiou a ciência, era  a autora do livro “Uma vida de superação”,  em que transforma   a sua dramática experiência pessoal em  um depoimento comovente,  realístico,  que confere uma lição de vida a todos nós, sobretudo àqueles    que não conseguem conviver com as adversidades, que sucumbem às primeiras  dificuldades e  que não acreditam no poder transformador e irrefreável do Criador.



RESTAURANTE OLHO DE LULA

Antídoto para o estresse

Foi do velho  Ulysses Guimarães, deputado constituinte, uma das vozes que mais se levantaram no combate a ditadura que prevaleceu no País por mais de 20 anos, que  ouvi a frase lapidar: “o segredo de se viver bem é fazer do dever um prazer”.    Já o meu pai, que também pensava assim, acrescentando  que  “só o trabalho enobrece e dignifica o homem”;  e o mestre Gonzaguinha daria contornos definitivos a esse conceito ao afirmar em sua canção: “o homem se humilha se cassam os seus sonhos, e o sonho é sua vida e a vida é o trabalho. E sem o seu trabalho, o homem não honra. Não dá para ser feliz”.

Essas reflexões de hoje emergem comigo por conta das dificuldades naturais que atravessamos na vida, quando super-dimensionamos problemas, angústias e imaginamos estar vivendo um inferno astral de proporções bem superiores àquelas que na realidade tem.  Como frisou o meu amigo Germano Toscano de Brito, tabelião dos mais respeitados da cidade, presidente da Associação dos Notários e Registradores, “problemas não surgem para te parar, mas para te forçar a ir para a frente”.

Nessas ocasiões é preciso ter serenidade  e   motivação  como a melhor terapia. Mergulhar com paixão naquilo que nos empenhamos a fazer todos os dias, nos prazeres que nossa profissão  oferece, nas recompensas que certamente chegam  aos que, como numa construção, colocam um tijolo por dia na obra de sua vida. Volto ao velho Abelardo Jurema: “ meu filho, todos os dias antes de dormir eu penso se coloquei um tijolo e só me deito tranqüilo quando percebo que a construção continua subindo”.

Vez por outra enfrentamos obstáculos. Peças que o destino nos prega para que a gente possa enxergar melhor,  reavaliar conceitos, aprender novas  lições. Mas nada deve nos tirar  do rumo,  afligir a nossa alma ou  enfraquecer  o nosso  espírito. O trabalho e a fé em Deus  são os melhores  antídotos para combater  qualquer  estresse.



CARTÓRIO TRAVASSOS

Como nossos pais

Criar filhos é uma das mais nobres e difíceis missões que Deus nos confiou, uma responsabilidade que não cessa e que nos acompanha até  final dos nossos dias. Não importa que eles tenham crescido, se tornado homens e constituído as suas próprias famílias. Eles estarão sempre sob os nossos olhos, merecendo os nossos cuidados , a nossa preocupação e, sobretudo,  a nossa proteção.

No meu caso, que tenho três , João Luiz, Abelardo e João Paulo, sempre acreditei nos exemplos, mais do que nas palavras. Espelhei-me nos meus pais,  que sempre foram as minhas  principais fontes de inspiração e  referência para que eu construísse a minha família  calcada em sólidos princípios cristãos, de generosidade, de  amor ao próximo,   de respeito aos mais velhos, da compaixão e da comiseração para com os necessitados e da humildade perante a vida  ou posição social.

Procurei ensiná-los a não tirar os pés do chão. A não se  levar pelas más influências.  A não julgar  pelas aparências. A dividirem o pão.  A não deixarem comida no prato enquanto existem pessoas que  morrem de fome.   Uma longa batalha até que eles se tornassem adultos dignos e donos do seu próprio nariz.

No mundo onde  os valores da família se deterioram a cada dia;  quando o dinheiro e a ganância corroem consciências; quando o ter é mais valorizado do que o ser;  quando a corrupção e a iniqüidade ameaçam a sociedade brasileira, chego à conclusão que , ao contrário da musica do Belchior, a  felicidade é perceber “que apesar de termos feito tudo o que fizemos, ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais”.

Domingo é Dia dos Pais. A data me remete ao meu pai amado cuja saudade,  ainda hoje, preenche o meu coração. Que Deus nos abençoe a todos  e proteja os nossos filhos.



CARTÓRIO TRAVASSOS

Coluna Abelardo


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