no image

O irmão mais velho

  • 271
Fonte:
Imprimir

A Paraíba o conhece. Aqueles de sua geração, que acompanharam a sua trajetória de homem público como vereador em João Pessoa, no final dos anos 60, em plena vigência do AI-5, no período mais difícil do Regime Militar , recordam-se bem daquele jovem e intrépido parlamentar, magro, de enganosa fragilidade,  que se agigantava na tribuna e  desafiava as baionetas com contundentes discursos contra o arbítrio e a pressão que predominavam no País daqueles tempos difíceis e controversos.  O saudoso radialista Otinaldo Lourenço de Arruda Melo, falecido recentemente, que fazia a cobertura politica daquela época através das antenas e dos transmissores poderosos da rádio Arapuan, costumava exaltá-lo. “O seu irmão Oswaldo foi o vereador mais importante do seu tempo. Os seus pronunciamentos abalavam o Governo , o Grupamento de Engenharia e as forças mais conservadoras de então”, contava Otinaldo,  quando  nos encontrávamos e tínhamos tempo para conversar.  Pressionado pelas forças políticas, ameaçado de seguir o exemplo do pai, o ministro Abelardo Jurema, e terminar cassado e exilado pelo sistema dominante,  renunciou ao mandato e foi cuidar da vida em São Paulo, após casar-se  com a paraibana Maria Zélia Henriques, uma grande companheira,  com quem tem filhos e netos. Durante anos dedicou-se à iniciativa privada prestando serviços à  Brasimet, empresa do empresário paraibano Ingo Neukrans, até retornar à João Pessoa para compor a diretoria da Urban, a recém criada Empresa Municipal de Urbanização, a convite do então prefeito Antônio Carneiro Arnaud.   Por diversas vezes foi secretário municipal de Turismo, levando o carnaval para a orla marítima, valorizando as festas populares, apoiando os eventos culturais e imprimindo a sua marca na cidade que sempre amou. Teve passagens ainda pela Departamento Estadual de Cultura e dirigiu o  Espaço Cultural onde é lembrado, com saudades,  por servidores do órgão e pelos artistas e produtores de espetáculos  que tinham nele um parceiro e apoiador.  Hoje, recluso em seu  apartamento no Jardim Luna, procurando  proteger-se  da pandemia,  Oswaldo Geminiano Pessoa Jurema, o Waldo, vive dos  proventos de  uma aposentadoria modesta que lhe proporciona  vida regrada. Guarda, porém , uma riqueza que não tem preço: a integridade  que o faz caminhar de fronte erguida, de consciência tranquila; e do orgulho que representa para a sua família,  para os amigos e para os seus irmãos e irmãs.  Sempre conversamos muito. Nos  divertimos muito.  Ultimamente, diante do quadro assustador que vive o Brasil e da incerteza do futuro, temos nos aproximado ainda mais, recordando as agruras e  dificuldades que enfrentamos; as vitórias que alcançamos  e as belas passagens de nossas vidas. Em cada palavra que trocamos, redescobrimos tão grande é o sentimento  que nos une,  desde os tempos da Cesário Alvim e dos jogos de botão que praticávamos no assoalho do apartamento da Gastão Baiana, em Copacabana.  Resolvi escrever a crônica de hoje com vontade de homenageá-lo. Para agradecer por tantas lições   de caráter, humildade,  coragem, generosidade,  hombridade  e resiliência do  irmão mais velho que sempre me serviu de exemplo e  inspiração para jamais me afastar dos valores humanos  que realmente importam.

no image
Matéria Anterior As “Raparigas de Chico” debutam hoje
Próxima matéria Símbolo do carnaval de João Pessoa
Leia também:

+Notícias

Não perca as mais lidas da semana

no image
Ver mais notícias